quarta-feira, 27 de junho de 2012

letters to no one


Sem dó nem piedade,
Do meu cadernos arrancas o que sinto,
Sem ideia do porque destes versos,
Dizerem a verdade enquanto minto.

E mesmo que lesses todas as palavras,
Presentes em cada linha deste livro,
Não terias noção que na verdade,
Não escrevo poemas mas cartas.

Dirijo cada letra a quem nunca as irá ler,
Como dirijo sentimentos a quem nunca os irá ter,
Tento apagar dores como erros feitos a lápis,
Só pelo medo de sofrer.

E por entre versos e linhas persistem os sons,
Notas de um ser,
Uma voz que não quero esquecer,
Frases que morro por dizer.

«e se?»

Se caíres,
Eu levanto-te,
Se chorares,
Eu limpo-te as lágrimas,
Se estiveres só,
Eu fico do teu lado,
Se precisares,
Eu estou lá,
Se precisares,
Eu faço tudo para dar,
Se mentires,
Eu vou para nunca mais voltar.

therapy

Já nem sei o que escrever, a caneta encrava, as letras não encaixam e as palavras já não rimam... Torna-se difícil respirar com tanto por dizer, mas de que adiantava abrir o peito num acto de sinceridade se tudo o que disser vai ser para esquecer? E ainda assim a mão teima em escrever o que o coração tanto quer e o que a voz morre por dizer, mas de nada adianta lhe prometer o mundo, nada que eu possa dar seria suficiente, nada que eu queira fazer pode ser feito. E eu poderia prometer fazer melhor que todos os outros antes, gastar todo o meu folgo em promessas, o querer fazer tudo não chega, o querer tratar da maneira certa muito menos, é inútil implorar para que fique comigo pois ao fim do dia vai sempre virar costas e ir embora. Por isso nada digo, não porque não quero, mas porque não posso.

terça-feira, 26 de junho de 2012

medos

Deixo continuamente que os meus medos me superem,
Escondo palavras como se falar fosse um crime,
Não são as palavras que quero esconder,
Mas sim aquilo que elas significam,
E quanto mais elas tem a contar,
Mais custam a pronunciar,
E a verdade é que com palavras eu não tenho jeito,
Saem atrapalhadas e atropeladas por nervos,
Embrulhadas em medo,
Silenciadas pelo defeito.
Não adianta o quanto eu queira falar,
As palavras ficam presas depois de te olhar.

domingo, 24 de junho de 2012

tudo ou nada

Cansei-me de te ver cair,
Quantas lágrimas já secas-te,
Só para um sorriso fingir?
Se há quem não mereça tanta dor,
Esse alguém és tu,
Necessitas paz e amor,
Não este sofrimento sem fim,
E sempre que fores a cair,
Podes-te apoiar em mim.
Desta vida mereces tudo,
Mesmo que ninguém te prometa nada.
E se eu pudesse voar,
Acredita que te daria as minhas asas,
E te dou todo o sono do mundo,
Quando não conseguires sonhar.
Mas para já dou-te estes humildes versos,
Para não te ver chorar.

- Dedicado à Rafaela Sousa, por ser uma das melhores pessoas que conheci nos últimos anos, uma amiga incondicional, que já é mais como se fosse familiar que outra coisa.

terça-feira, 19 de junho de 2012

memórias

Passam-me mil momentos pela cabeça, memórias que não me deixam dormir, demasiadas para me pegar o sono, memórias que não me deixam fugir.
Estas memórias levam-me para um tão seguro lugar, braços onde amaria estar, trazem palavras que daria tudo para voltar a ouvir, ditas por vozes que não quero esquecer, que me levam para sítios onde quero permanecer mas sei que não posso ficar.
Por isso quando me fores abandonar, pois é certo que como todos vais partir, fica só mais um segundo e abraça-me mais uma vez antes de ir.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

um dia de chuva

Num frio e triste dia de chuva, os céus choram inundando de tristeza tudo que se aloja debaixo deles.
O vento sopra forte, varrendo ruas e vielas, deixando para trás um rasto frio de solidão.
É em dias de chuva como este que os corações partidos sangram, em que as almas solitárias choram e em que a tristeza daqueles que não tem tecto onde se abrigar mais se evidencia.
Pois todos precisamos de abrigo, todos precisamos de amor e todos precisamos de alguém que nos diga que um dia a chuva vai parar e o sol vai brilhar.
Se num dia de chuva todos parassem para pensar, se todos se lembrassem de ajudar, se todos sentissem a dor de aqueles que estão sozinhos no mundo, talvez se pudesse construir um mundo melhor. Um mundo mais justo, um mundo menos miserável, um mundo com mais amor, um mundo onde já ninguém sofresse nos dias de chuva.

domingo, 10 de junho de 2012

If I could...

It's taking all my breath to confess,
These things I'd never tell,
Sometimes I think I care too much,
And all this caring makes me stress.

If I could I'd take it away,
Take all the pain to see your smile,
And if I could I'd breathe in and say,
Let me take care of you because I'm sure I can.

If I could change the weather,
I'd turn this storm into a beautiful day,
And if I could make it better,
I'd take all the stones out of your way.

momentos vazios

Reviro páginas sem saber o que escrever,
Parece que não me sobra gota de inspiração,
Talvez não tenha nada para dizer,
Ou simplesmente não saiba como o fazer.

Sinto que adormeci,
Perdi a vontade de tudo,
Por momentos esqueci,
O que ando a fazer no mundo.

Já nem me recordo das razões,
Que me levaram a escrever,
Talvez apenas para desabafar,
Talvez por não ter mais que fazer.

E perco tempo,
Conto minutos como se eles não passassem,
Mas eles correm como vento,
Mas nem isso me acorda deste vazio momento.